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domingo, 26 de abril de 2009

Do lado de dentro

Hoje estava me perguntando o porquê de eu não gostar muito de relembrar o passado, nem os momentos bons, nem os ruins. O passado sempre deixa um gosto adstringente em minha boca, mesmo nos momentos de felicidade. É estranho, mas sou eu.

Estava eu olhando uns artigos aqui na internet que coincidentemente falavam da relação passado-presente-futuro (nada exotérico, por favor), e aquilo tudo meio que iluminou meus pensamentos. Não que eu estivesse atrás de uma explicação, mas ela veio.

Talvez por eu ser perfeccionista e sonhadora demais, por eu exigir tanto de mim, o passado me desagrade em parte porque analisando ele do presente (uma Ziliane com mais experiência, mais madura e etc), ele tende a se mostrar imperfeito demais.

Nele as pessoas me julgaram errado, eu tive atitudes imaturas e preconceituosas, não dei as melhores respostas nas horas mais propícias, deixei de fazer algumas coisas que eu gostava por sonhos que não se concretizaram, valorizei quem não devia... E por aí vai.

Meu passado foi imperfeito, assim como meu presente, no futuro, também será. E isso, inconscientemente, me frustra, ou, no mínimo, me deixa com uma sensação semelhante a impotência. Impotência por não poder voltar no tempo e refazer mil vezes até ficar perfeito.

Perfeição essa que sempre busquei e que sempre estarei longe de alcançar, embora sempre a tenha perseguido. Sem aparentes motivos.

Mas no fundo eu sei que essa imperfeição indesejada me faz crescer de alguma forma, assim como o meu passado me fez tornar quem eu sou hoje. Não o renego. Ao contrário, aceito-o e admito que ele faz parte de mim. O que também não significa dizer que rememorá-lo me faz bem. Prefiro deixar ele enterrado como está (ou como espero que esteja).

De uma forma bem clichê: prefiro me preocupar com quem sou agora e com quem terei me tornado ao raiar de um novo dia.


Ouvindo: Read my mind - The Killers

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Inusitado.

Aí que depois de passar mais de duas horas com a boca aberta e praticamente sem conseguir respirar direito, na cadeira do dentista, fui dar uma volta e fazer aquelas compras necessárias que não davam mais para serem adiadas.
E não é que para minha surpresa, estava lá eu animadamente tentando explicar para a vendedora simpática como era o modelo dos óculos que eu queria, quando vejo pelo espelho o reflexo daquela pessoa que um dia você pensou ser especial e fundamental na sua vida. Ok, não que não tenha sido, de fato foi mesmo e por um período longo, até. Mas que um belo dia arrumou sua mochila e foi sentar bem longe de mim.
De repente, me vem a mente todas as palavras que ensaiei pra dizer, em frente ao espelho, quando te encontrasse (embora eu achasse que as havia esquecido). Aí sorrio por dentro e vejo que nunca foi realmente necessário, foram apenas escolhas feitas por cada um e ninguém precisa dar ao certo satisfações sobre elas. E, embora eu preferisse poder ser simpática e falar aquele oitudobemcomovai rápido, nesse caso nem isso cabe.
Desviei o olhar do espelho e comecei a provar animadamente os modelos que a vendora trazia e a pedir a opinião da minha mãe (nunca consegui escolher bons modelos de óculos sozinha). Quando olhei para trás novamente, só havia montes de óculos e relógios, você mais uma vez seguira o seu caminho e eu o meu. E a sua aparição ali praticamente ao meu lado serviu pra me mostar o quanto o tempo foi generoso comigo, e agradeço a Deus todos os dias por isso. E acredite, eu estou bem melhor assim.
Há quem pense, nessas horas, que eu sou fria. Mas é que não sabia se iria valer a pena quebrar minha estabilidade atual para dizer um oi a um pretérito longínquo que me fez sofrer, a possibilidade de falar contigo de novo me pareceu um link indesejado que não deveria ser clickado. Mas ficaadica praqueles que entendem: nunca acabe uma grande amizade sem explicar os porquês, sem colocar os devidos pingos nos is e nos jotas.
O tempo é bem cruel, meus caros. E a indiferença pior não é aquela que externamos, é essa que vem de dentro, porque ela é bem mais cruel e muito mais sincera.
Ouvindo: Sunday Afternoon - Rachael Yamagata.
- Deus conserve para sempre o meu bom senso temperado a pitadas de loucura.

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Uma pequena criatura semi-leiga em muita coisa, mas metida o suficiente para dar palpite em quase tudo. beijosaindasereimanchete!
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