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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dialética

E sobre essa eterna dualidade barroca que vive o homem, dividido entre o profano e o sagrado, entre a simplicidade e a complexidade, entre o que apetece aos sentidos a curto prazo e os benefícios a longo prazo (por vezes com sacrifícios de partes do presente), versa acertadamente Paulo Freire:

O domínio da existência é o domínio do trabalho, da história, dos valores. Domínio em que os seres humanos experimentam a dialética entre determinação e liberdade.

E sobre minhas escolhas, Humberto Gessinger as traduz de maneira pouco peculiar, mas também acertada:

Seria mais fácil fazer como todo mundo faz, o caminho mais curto, produto que rende mais (...) mas nós vibramos em outra freqüência, sabemos que não é bem assim se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim.


A liberdade está para o ser humano assim como a semente está para a árvore. É potência. É vocação, mas é também luta e empenho.
Fábio de Melo.

É isso.



terça-feira, 21 de julho de 2009

Um ano de A a Z



Desde o último semestre do ano passado tudo mudou. Completamente. Não só na minha vida. E é incrível como vão sendo traçados caminhos - tortuosos, de fato -, mas, ainda assim, belos.

Valorizar detalhes ínfimos e, por vezes, imperceptíveis tem sido o maior desafio de todos. Depende de muito cuidado, esforço e observação. É preciso uma energia monstruosa para conseguir. Mas, ainda assim, vale à pena.

O interessante de relembrar o início é perceber as fases pelas quais se passou, as besteiras, o que poderia ter sido dispensado, o que foi fundamental, as pessoas que passaram, as que realmente ficaram, as pequenas decepções, os carinhos, os mimos e agrados, as brigas à toa, as brigas construtivas. Foram tantos erros e, ainda assim, tudo se ergue fortemente.

Havia tanta inocência, tanta fragilidade, mas, ao mesmo tempo, havia tanta força. Havia tanta vontade (e ainda há), havia tantos medos, tantas diferenças. E, mesmo assim, havia a semelhança.

E foram vinhos e bares e restaurantes e praias e praças e músicas. Quase todos foram testemunhas de tudo o que emanava naquele dueto mágico. Era como uma dança complexa entre pequenas borboletas envoltas numa nuvem de polém que dourava aos raios de sol. E, mesmo assim, parece que foi hoje.

Mas a pequena grande borboleta não temia ao concluir:
- "Começaria tudo outra vez se preciso fosse... A chama em meu peito ainda queima, saiba, nada foi em vão..."*

E haverão ainda muitos entardeceres defronte ao mesmo mar, regados ao mesmo cálice sagrado, mesmo que uma onda seja incapaz de ser igual a outra. Mesmo que restem apenas as duas mesmas borboletas a voar juntas na imensidão do céu.


*Trecho da música 'Começaria Tudo Outra Vez', de Luiz Gonzaga.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Senhora Liberdade - Jorge Vercilo

Eu fui condenado
Sem merecimento, por um sentimento
Por uma paixão, violenta emoção pois
Amar foi meu delito, mas foi um sonho tão bonito
Hoje estou no fim, senhora liberdade abre as asas sobre mim
Abre as asas sobre mim, ó senhora liberdade...
Vim de lá, trouxe a mais bela pérola do mar... Para te coroar
Vim de lá, pela floresta de algas pude andar
Nem sei como eu vou contar, lá no reino das águas claras
Mágico mundo de jóias raras... Meu passeio mais bonito
Tantos caminhos, que maravilha! Dançando juntos como quadrilha
Onde as cores não tem fim...
Todos os seres em harmonia, tudo transforma alegria
Hoje é dia de festa...
Dentro do palácio encantado, um príncipe escamado vai se coroar, vai se coroar, vai se coroar!
Eu sou do mar jexa... Eu sou do mar!

Aonde cresci, o que já vivi, não me lembro de nada
Na vida que mais pareça com com o amor, como lembro de ti
Na minha ilusão, o seu coração ô ô
É a peça perdida do quebra cabeças daquela emoção
Que um dia perdi
Ô... Minha vida ta despelatada sem seu amor
E parece que nada vai mudar chuva que cai sem parar
Deixa no canto do peito esse gosto de dor
Vem... Eu guardei o meu tempo de vida pra mais ninguém
Seja fogo de palha ou seja amor, seja do jeito que for.
Só de pensar em você já me faz tanto bem!
Só de pensar em você já me faz tanto bem!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

I can see in your face... The peace.


Porque eu prefiro a calmaria de dias serenos e cheios de músicas agradáveis e reflexivas, que me ajudem a encontrar o caminho mais certo entre as tantas opções que temos (ou as quais parecemos ter). A agitação de festas e bares e músicas agitadas e pessoas de todos os tipos é ótima, mas em momentos certos, bem dosados, nada excessivo. Não que eu seja uma chata que não gosta de sair por aí de festa em festa. Já fiz isso muito até. Mas não enche barriga não, pelo menos não a minha. E, hoje, ficar em casa vendo filme, ou curtir aquela prainha com boas músicas e poucos amigos é mais que necessário, tornou-se essencial. Dessa forma me sinto mais eu, mais estável, mais centrada. E tudo o que me ajuda a manter o foco será bem vindo, uma vez que nesses tempos conturbados, ninguém sabe como terminará o dia de amanhã. Existem tantas adversidades que só de pensar tenho medo. O melhor é torcer para que a maior parte do todo dê certo, olhar pra esse céu ainda de uma azul turquesa límpido e fazer por onde merecer o carinho de quem se ama.
No fim, é só ter fé, fazer a sua parte e se permitir. Não que isso faça tudo sair certo, mas prepara pros momentos difíceis ou pseudodifíceis que enfrentamos todos os dias. Além de tornar os momentos bons mais especiais ainda, bem no estilo Amèlie Poulain.

Ouça: Delicate - Damien Rice.
Leia: O astronauta sem regime - Jô Soares.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Inusitado.

Aí que depois de passar mais de duas horas com a boca aberta e praticamente sem conseguir respirar direito, na cadeira do dentista, fui dar uma volta e fazer aquelas compras necessárias que não davam mais para serem adiadas.
E não é que para minha surpresa, estava lá eu animadamente tentando explicar para a vendedora simpática como era o modelo dos óculos que eu queria, quando vejo pelo espelho o reflexo daquela pessoa que um dia você pensou ser especial e fundamental na sua vida. Ok, não que não tenha sido, de fato foi mesmo e por um período longo, até. Mas que um belo dia arrumou sua mochila e foi sentar bem longe de mim.
De repente, me vem a mente todas as palavras que ensaiei pra dizer, em frente ao espelho, quando te encontrasse (embora eu achasse que as havia esquecido). Aí sorrio por dentro e vejo que nunca foi realmente necessário, foram apenas escolhas feitas por cada um e ninguém precisa dar ao certo satisfações sobre elas. E, embora eu preferisse poder ser simpática e falar aquele oitudobemcomovai rápido, nesse caso nem isso cabe.
Desviei o olhar do espelho e comecei a provar animadamente os modelos que a vendora trazia e a pedir a opinião da minha mãe (nunca consegui escolher bons modelos de óculos sozinha). Quando olhei para trás novamente, só havia montes de óculos e relógios, você mais uma vez seguira o seu caminho e eu o meu. E a sua aparição ali praticamente ao meu lado serviu pra me mostar o quanto o tempo foi generoso comigo, e agradeço a Deus todos os dias por isso. E acredite, eu estou bem melhor assim.
Há quem pense, nessas horas, que eu sou fria. Mas é que não sabia se iria valer a pena quebrar minha estabilidade atual para dizer um oi a um pretérito longínquo que me fez sofrer, a possibilidade de falar contigo de novo me pareceu um link indesejado que não deveria ser clickado. Mas ficaadica praqueles que entendem: nunca acabe uma grande amizade sem explicar os porquês, sem colocar os devidos pingos nos is e nos jotas.
O tempo é bem cruel, meus caros. E a indiferença pior não é aquela que externamos, é essa que vem de dentro, porque ela é bem mais cruel e muito mais sincera.
Ouvindo: Sunday Afternoon - Rachael Yamagata.
- Deus conserve para sempre o meu bom senso temperado a pitadas de loucura.

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Uma pequena criatura semi-leiga em muita coisa, mas metida o suficiente para dar palpite em quase tudo. beijosaindasereimanchete!
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