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terça-feira, 21 de julho de 2009

Um ano de A a Z



Desde o último semestre do ano passado tudo mudou. Completamente. Não só na minha vida. E é incrível como vão sendo traçados caminhos - tortuosos, de fato -, mas, ainda assim, belos.

Valorizar detalhes ínfimos e, por vezes, imperceptíveis tem sido o maior desafio de todos. Depende de muito cuidado, esforço e observação. É preciso uma energia monstruosa para conseguir. Mas, ainda assim, vale à pena.

O interessante de relembrar o início é perceber as fases pelas quais se passou, as besteiras, o que poderia ter sido dispensado, o que foi fundamental, as pessoas que passaram, as que realmente ficaram, as pequenas decepções, os carinhos, os mimos e agrados, as brigas à toa, as brigas construtivas. Foram tantos erros e, ainda assim, tudo se ergue fortemente.

Havia tanta inocência, tanta fragilidade, mas, ao mesmo tempo, havia tanta força. Havia tanta vontade (e ainda há), havia tantos medos, tantas diferenças. E, mesmo assim, havia a semelhança.

E foram vinhos e bares e restaurantes e praias e praças e músicas. Quase todos foram testemunhas de tudo o que emanava naquele dueto mágico. Era como uma dança complexa entre pequenas borboletas envoltas numa nuvem de polém que dourava aos raios de sol. E, mesmo assim, parece que foi hoje.

Mas a pequena grande borboleta não temia ao concluir:
- "Começaria tudo outra vez se preciso fosse... A chama em meu peito ainda queima, saiba, nada foi em vão..."*

E haverão ainda muitos entardeceres defronte ao mesmo mar, regados ao mesmo cálice sagrado, mesmo que uma onda seja incapaz de ser igual a outra. Mesmo que restem apenas as duas mesmas borboletas a voar juntas na imensidão do céu.


*Trecho da música 'Começaria Tudo Outra Vez', de Luiz Gonzaga.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

II (Dois)

- continuação -



Mas enquanto cavo minhas trincheiras para me proteger da ameaça interna que sou eu, derrubo os muros que me separavam do que não era eu. E bem aos poucos vou me expondo ao mundo, mesmo sem ter resolvido as pendências internas. Assemelho-me ao vulcão prestes a entrar em erupção: por fora a terra escura dá a sensação de deserto, calmaria e imobilidade, por dentro, lava fervente, agitada, tentando sair do emaranhado interno de canais e valas para emergir à superfície e tornar-se pedra da mais preciosa que existe.
É fato que à instabilidade da erupção segue um período de calmaria, no qual o vulcão permanece latente por anos a fio. Meu vulcão deve estar em hiper-atividade, com períodos de calmaria curtíssimos e cada vez mais escassos. Mas não reclamo, é essa instabilidade interna que me faz produzir, que me tira da inércia desses dias tão parcos e esverdeados (de um mormaço sonolento que geralmente causa malemolência).
Inércia na qual permaneci e muitos também permanecem por milhares de dias, meses, anos... Inércia improdutiva e desmemoriada. Inútil desde o início de sua elaboração, recheada por planos que jamais se concretizarão (ou pouco provavelmente).

sábado, 18 de abril de 2009

I (Um)

E cá estou perdida mais uma vez em pensamentos. Estranho seria era se me achasse neles. Pensar é sinônimo de perdição. Perdem-se horas, dias, meses. Perde-se o tão precioso tempo. Perde-se a oportunidade. Perde-se o paladar, o olfato, o tato. Perde-se, por fim, a vida.

E esse perder-se, ao mesmo tempo, é ganhar. Sem a mínima contradição. Pensando se produzem idéias, testes, divagações, devaneios. Pensando se preserva o corpo, se expurga a alma.

Engana-se quem acha que pensar não dói. O pensar certo, crítico, minucioso, dói mais até que a dor da ferida ainda ardente e ensaguentada, porque ao se pensar assim, se enxerga a realidade.

Poucos são os realistas certeiros, natos, intuitivos. E em menor número ainda são os que usam tal dom com finalidades não lucrativas. Ver a realidade em todos os aspectos é atingir uma espécie de nirvana sensorial: o ápice de sensações equilibradamente desequilibradas tal qual como são permitidas pelo mundo.

Pudera eu ser só sensações, eu seria então uma espécie de Buda sensorial, talvez o yin do Buda extrassensorial que foi Sidarta Gautama. E caso já existisse um Buda sensorial anterior, eu seria, no mínimo, um Dalai Lama das sensações.

Mágico para qualquer um. Tão mágico que chegaria a ser revolucionário. E minha veia revolucionária toma meu sistema circulatório inteiro. Sou toda uma revolução latente a espera de seguidores, a espera do estopim. Sou luta armada até os dentes entre ID e EGO pronta pra explodir.
(continua)
- Deus conserve para sempre o meu bom senso temperado a pitadas de loucura.

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Uma pequena criatura semi-leiga em muita coisa, mas metida o suficiente para dar palpite em quase tudo. beijosaindasereimanchete!
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