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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dialética

E sobre essa eterna dualidade barroca que vive o homem, dividido entre o profano e o sagrado, entre a simplicidade e a complexidade, entre o que apetece aos sentidos a curto prazo e os benefícios a longo prazo (por vezes com sacrifícios de partes do presente), versa acertadamente Paulo Freire:

O domínio da existência é o domínio do trabalho, da história, dos valores. Domínio em que os seres humanos experimentam a dialética entre determinação e liberdade.

E sobre minhas escolhas, Humberto Gessinger as traduz de maneira pouco peculiar, mas também acertada:

Seria mais fácil fazer como todo mundo faz, o caminho mais curto, produto que rende mais (...) mas nós vibramos em outra freqüência, sabemos que não é bem assim se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim.


A liberdade está para o ser humano assim como a semente está para a árvore. É potência. É vocação, mas é também luta e empenho.
Fábio de Melo.

É isso.



quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quando Você Voltar

Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre.

Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.

Já brigamos tanto
Mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você.

Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
E saiba que te amo.

{Eu sei que nem sempre as pessoas voltam, eu sei também que eu raramente volto. Mas as vezes parece ser necessário ir, mesmo quando não se quer partir, mesmo quando se quer ficar. Mesmo quando eu só precisava de um abraço , de um carinho e de palavras de compreensão. Mesmo que isso pareça ser pedir demais.}


terça-feira, 2 de junho de 2009

Do não entender

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

- Clarisse Lispector

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ilegais

Vanessa da Mata

Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa vida
E será uma maldade veloz
Malignas línguas
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam, ilegais

Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu, quero você dentro de mim
Eu, quero você em cima de mim
Eu quero você

Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa farra
E será uma maldade voraz
Pura hipocrisia
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais, demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam, olhos ilegais

Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu, quero você dentro de mim
Eu, quero você em cima de mim
Eu quero você


- era realmente um tempo bom e digno de ser relembrado.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Felicidade - Vinícius de Moraes

Tristeza não tem fim
Felicidade sim...

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou da jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.

Tristeza não tem fim
Felicidade sim...

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos de minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo por favor...
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor.

Tristeza não tem fim
Felicidade sim...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Prezada Mulherzinha,

Se existe alguém que pode falar o que vou falar para você, sou eu. Então, por favor, tenha a humildade de admitir que sei o que estou falando. Pois o que eu te direi é duro, mas poderá te fazer um bem enorme.

Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea.

Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo.

Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é nada tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos.

É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade.
Fernanda Young

quinta-feira, 26 de março de 2009

Das alegrias melancólicas


'São as águas de março fechando o verão...'


Nesses dias de felicidades a mil, de coração saltitando, de pulinhos de comemoração e tudo-o-mais que uma aprovação traz consigo, eu estou incompreensívelmente melancólica. Eu que geralmente sou elétrica e faço milhares de coisas ao mesmo tempo estou dormindo mais que o normal, tomando menos café, pensando mais na minha saúde. Até os meus pops-remixados-pelo-dj-da-moda eu estou ouvindo menos. Em contrapartida Adriana Calcanhoto, Mariana Aydar, Rachel Yamagata, Coldplay e Andrew Bird estão bombando no meu lastfm (ou pelo menos estariam se ele voltasse a funcionar).

Não que eu esteja deprimida ou pensando em me suicidar (ainda não cheguei a esse ponto). Talvez eu esteja apenas revendo minhas prioridades ou seja apenas minha tpm que se manifestou de forma diferente esse mês. Não sei dizer ao certo.

Só sei que minha vontade é de ficar lendo bons livros ou jogando conversa fora com alguns amigos, tomando um açaí ou um capuccino cheio de canela acompanhado por um pão-de-queijo quentinho. Ou de apenas ficar em frente ao mar, apreciando aquele vinho e sentindo a brisa no meu rosto.

É, devo estar ficando velha.

(ou o mês de março está trazendo novos ares pra essa minha vidinha de pré-adulta preocupada com o futuro iminente)



Ouvindo: Lele - ChicoCorrea&EletronicBand

sexta-feira, 13 de março de 2009

Das palavras proferidas sob o luar

As vezes as palavras, códigos, orações, esvoaçam tanto pela minha mente que não conseguem se unir e formar frases coerentes, quiçá um parágrafo completo de idéias coordenadas e subordinadas, com todas aquelas classificações gramaticais.
Exigir pensamentos orientados e lógicos do meu cérebro há muito deixou de ser tarefa fácil. Nos últimos tempos as idéias parecem cada vez mais profundamente misturadas, sem nexo para possíveis ouvintes. Parece que elas insistem em se guardar numa lógica só minha, só entendível por eu mesma em madrugadas de devaneios, misturados com sons e xícaras de café e fórmulas e tarefas chatas a serem executadas no dia seguinte.
Por isso escrevo. Para tentar fazer com que alguém me entenda, mesmo que seja eu. Para diminuir o estado entrópico da minha mente.
Sei que ontem eu falei mais do que queria, mas também com uma lua daquelas, com um pastel crocante à mesa e com o 'professor' a me dar um estímulo, tudo saiu rápido demais, foi como se minha cabeça estivesse sendo aberta para expor pensamentos, alguns frequentes e recentes, outros já gastos e nem tão recordáveis assim.
Mas eu falei e me senti melhor depois de ter falado, depois de explicar o porquê de algumas atitudes, mesmo que nem sempre meus motivos façam sentido, sejam lógicos ou racionalmente aceitáveis. Mesmo assim vou tentado por ordem nesse caos, gastando muito mais energia que um ser humano mais apto gastaria.
Vou tentando dar racionalidade à minha emoção.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

verdades que eu precisava te dizer

queria poder te dizer mais do que fala o meu olhar, pra amenizar as dores sentidas por você.
queria poder amenizá-las com um carinho mais denso, mais intenso; um afago sincero e despreocupado.
queria poder pegar na sua mão e te ensinar o caminho mais acertado, o caminho mais justo.
queria poder saber qual é esse caminho.
queria poder te dizer toda a verdade, me despindo de preocupações.
queria poder pedir perdão, caso se fizesse necessário, e queria que você me perdoasse.
mas, veja bem, meu bem, o que eu poderia te dizer pra amenizar teu sofrimento, não cabe mais no contexto de hoje.
tudo mudou.
quando eu estava alí, aí ao seu lado, pronta pra te abraçar na hora precisa, você deixou que a rotina, ou o medo, ou as festas, ou qualquer outra coisa, virasse um obstáculo em nossas vidas. e, aos poucos, sem você perceber, fui saindo de mansinho, bem à francesa mesmo, até não restar vínculo algum.
e por essas ironias que a vida e o coração da gente prega, quanto mais eu me afastava, mais me fazia presente em seus pensamentos.
já perdi as contas de quantas ligações eu não atendi. de quantos convites para sair eu recusei. não por maldade, não por arrogância, mas porque não queria te dar aquelas falsas esperanças de que o passado pode voltar, porque o tempo nunca volta e os sentimentos nunca são os mesmos.
não que eu tenha raiva de você. ao contrário, tenho um carinho especial, mas que se colocado nos depósitos de sentimentos jamais encheria o pote do amor, pois é da medida certa para o pote da amizade.
aquele sentimento sincero, hoje, pertence a outro alguém, que me faz mais feliz, que me dá mais carinho e atenção, que me respeita mais. e que tem seus defeitos, como qualquer indivíduo comum.
queria poder te fazer entender, mas não queria te magoar. mas, talvez, as suas mágoas sejam inevitáveis, assim como as minhas, na época, foram.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Inteiro e não metade

"já tinha te alertado para o quanto eu abomino metades. nunca tomei um meio porre, nem fui a uma meia festa. as migalhas da vida não me interessam, ela só me apetece quando sorvida à goles fartos e sem medo de se sujar."

Confesso que essas frases de Vinícius me fizeram refletir sobre o quanto me dedico a tudo o que faço. Com muito perregue, olheiras eternas, noites mal dormidas - por um misto de insônia e preocupação -, brigas, discussões e pedidos de desculpas, tento me dedicar ao máximo, tento ser esse inteiro aí.
Até que ponto eu consigo? São estudos pra n coisas diferentes, aulas, provas, seminários, amigos, familiares, dúvidas, perspectivas, medos. (e ainda tenho que administrar essa maldita ansiedade) Parece ser muita coisa pra minha cabeça. Parece ser demais pra eu conseguir ser inteira em tudo e que estou condenada a ser sempre metades, terços, quartos...
Só que, ao mesmo tempo, não parece ser nada. E posso conseguir me dedicar e ser bem sucedida em tudo. Embora só o tempo possa me dizer, realmente, se cheguei nos pontos certos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Te tornas?

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas
(Antoine de Saint-Exupèry)

O problema é que as pessoas são complicadas demais. E eu também sou uma dessas pessoas.
=/
- Deus conserve para sempre o meu bom senso temperado a pitadas de loucura.

Quem sou eu

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Uma pequena criatura semi-leiga em muita coisa, mas metida o suficiente para dar palpite em quase tudo. beijosaindasereimanchete!
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